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Desde minha infância e adolescência, lá pelos anos 70, costumava fazer refeições aos domingos, na casa de meus avós, no interior do Estado. A família italiana, nunca se preocupou com excesso de gorduras e massas, o foco era a quantidade, quanto mais farta a mesa, mais saudável. Ai de quem não gostasse, era uma ofensa interminável. Não havia preocupação com pressão alta ou colesterol ruim, as discussões eram somente sobre onde seria a próxima festa. Todos éramos saudáveis, corados e fortes, não havia necessidade de regime alimentar, nem intensa preocupação por saladas, essas, eram os enfeites da mesa. A carne sempre foi um prato especial, com ou sem temperos, desde o churrasco até o saboroso bife a milanesa da vó. Quanta saudade.

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Desde outubro de 2015, o consumo de carne, foi colocado sob alerta em todo o mundo. Ao longo de 20 anos, a Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (Iarc), e a OMS, analisaram cerca de 800 investigações sobre a associação de mais de uma dúzia de tipos de câncer, ligados ao consumo de carne vermelha, ou processada. Começaram a estragar o churrasquinho da família no domingo.

Os nutricionistas opinaram recomendando a ingestão diária de cinco porções de frutas, mais hortaliças, e derivados do leite. O encontro familiar mudou do carvão para a horta.

O churrasco do domingo era motivo de conversas desde a 4a feira. Iniciávamos as negociações, de quem compraria a carne e a cerveja; e como eu era o assador, a obrigação me liberava da compra, mas eu tinha que servir a todos em seus pratos, e limpar a churrasqueira.
Era um espetáculo aquele churrasco com a família, todos se reencontravam; apareciam novas fofocas, alguns elogios, e as velhas histórias repetidas, que não tinham importância nenhuma, o encontro era a celebração de nossas vidas. Mas os médicos insistiam que a carne nos provocava doenças degenerativas e cardiovasculares, e por isso deveríamos manter distância.

Além desse abacaxi sem canela, outros descobriram que a prática da pecuária, produz mais danos ao efeito estufa que todos os transportes juntos. Ao menos é o que apresentou o documentário Cowspiracy, apresentado em 2014. Os diretores Kip e Keegan, examinaram os impactos da pecuária, e da pesca na natureza; investigaram como as organizações ambientais lidaram mal com a questão. Houveram contestações é claro, e o consenso científico foi de que, as mudanças climáticas, são causadas por gases liberados pela queima de combustíveis fósseis. Outros estudos comprovaram que a agropecuária, incluindo o desmatamento, chegam a 25% desse dano. Por conta disso, alguns parentes meus foram para o veganismo, e outros só comem frango e peixes, porque estão com medo de morrer mais cedo.
Para mim o fato mais importante é que nossas mudanças alimentares, me deixaram mais triste e saudoso daqueles momentos, tenho a impressão que a fumaça e o calor do carvão, eram a chama de nossa alegria, e era assim que as almas se comunicavam intimamente na casa da vó; Preciso pensar como reacender esse fogo.

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*Raul Tartarotti é Engenheiro Biomédico

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