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Kontaktbeschränkungen

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Raul Tartarotti*

O mundo está confuso e sem paciência com a frequente limitação no andar na rua e impedimento em se relacionar com as pessoas, em função da peste.

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No Brasil, o vai e vem das decisões de fechar o comércio, complica as vidas, os negócios e as cabeças de seu povo.

Alguns teimosos insistem em procurar uma variante do vírus em festas clandestinas ao ar livre.

Na Alemanha essa confusão mental tem a mesma sensação, e a prática ganhou novo nome “Auf-zu-auf-zu”, ou “Yo-yo”. Os alemães criaram mais de mil novas palavras durante a pandemia.

A língua Alemã é conhecida por ter palavras imensas e impronunciáveis, formadas pela junção de duas ou mais para descrever algo novo ou expressar emoções complexas.

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O Instituto Leibniz de língua Alemã, computou mais de 1.200 novas palavras relacionadas à pandemia, surgidas em 2020, mas no final desse ano teremos novas atualizações.

Normalmente os alemães criam em média 200 novas palavras por ano, e as variações em torno da palavra máscara são inúmeras.

“Abstandbier”, talvez seja a mais utilizada naquele país de muitíssimos apreciadores de cerveja. Significa “tomar cerveja mantendo distanciamento”.

O popular lockdown inglês ganhou nova roupagem germânica se tornando “Gelockdownt”, que poderíamos traduzir para o português como lockdownzado.

A polêmica criada pela vacina da Oxford/Astra Zeneca fez com que os alemães, não vacinados, sentissem uma certa “Impfneid”, inveja, de quem já recebeu a picada da salvação.

Em toda parte encontramos os chamados negacionistas, corajosos no enfrentamento pandêmico, com roupagem nova germânica, ficaram associados a um artefato explosivo, “Virusbomber”, ou seja, é aquela pessoa ou instituição que ajuda na disseminação da Covid.

O gesto de se cumprimentarem com os pés ao invés das mãos, ganhou o termo “FuBgruB”.

O uso obrigatório de máscara em locais públicos é expressado por “Maskenpflicht”.

E para a pessoa que utiliza a máscara incorretamente, com o nariz de fora, chamam “Nacktnase”.

O professor de linguística Anatol Stefanowitsch, da Freie Universität Berlin, afirmou ao Washington Post que muitos exemplos colaboram para uma grande mudança ao vocabulário alemão, porém não em questão de meses como agora.

Nem todas essas palavras irão para o dicionário, algumas com significado mais preciso tem chance como “Kontaktbeschränkungen”, que significa restrições no contato, e “Ausgehbeschränkungen”, que quer dizer restrições de circulação.

Mas, para a colunista Samira El Ouassil, da revista Der Spiegel, essas novas palavras são o reflexo do espírito alemão que adora ordenar, organizar e estabilizar.

Estamos cansados do corona, ansiosos por nossa liberdade de volta, porém ainda com medo de respirar na frente do amigo, trocar ares por vezes carregados de emoção e desejo de atenção. Vivemos as sombras das persianas fechadas, por isso temos o direito de criar novas palavras ou expressões que nos definam agora, porque ontem, fomos algo que sofreu mutação.

Uma forma de travar conhecimento com o agora é saber como se expressar, como se ama, mas também como se morre. 

*Raul Tartarottié engenheiro biomédico e cronista.

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