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Balneário Camboriú

Dia Mundial da Saúde pede por esperança, cuidados básicos e prevenção à Covid e outras doenças

Por Waldemar Cezar Neto, Marlise Schneider Cezar e Renata Rutes

No pior momento da pandemia falar em Dia Mundial da Saúde não é tarefa fácil, tampouco confortável, porque o principal objetivo desta data é conscientizar as pessoas sobre a importância da preservação da saúde e desta forma, alcançar uma qualidade de vida melhor, enfim comemorar a saúde.

Nesta pandemia preservar a saúde é o foco maior, mas não há um direcionamento coeso, porque só parte da população está se protegendo do vírus. 

Todos querem ter saúde, mas neste momento ela tem um preço maior. Por falta de amor à saúde, não houve o planejamento necessário para enfrentar uma pandemia, porque a política falou mais alto, o vírus se espalhou e neste Dia Mundial da Saúde estamos isolados no planeta (somente o Paraguai ainda não fechou a porta para brasileiros) e assistindo a morte, que já chegou a quatro mil pessoas por dia, como aconteceu nesta terça-feira (6). E pior: sem uma luz verde no túnel, apenas nos alimentando de esperança de que tudo vai passar… 

Neste cenário sombrio, onde todas as atenções estão voltadas para a pandemia, não podemos esquecer dos cuidados básicos para combater esse vírus e também para evitar o surgimento de outras doenças. 

Por isso, neste Dia Mundial (7) e nesta Semana Mundial da Saúde, fica o recado:

Fique em casa e invista forte na prevenção da sua saúde, praticando o distanciamento social, usando álcool em gel e máscara.

Acompanhe relatos de profissionais que estão lidando com a vida e a morte todos os dias e atenda ao pedido que eles fazem:

Prevenção, prevenção e mais prevenção! 

Cartinha que a técnica em enfermagem Cristiane e seus colegas receberam de uma criança da cidade (foto Arquivo pessoal) 

Leila Crócomo

Secretária da Saúde de Balneário Camboriú

Secretária Leila (foto PMBC)

“O Dia Mundial da Saúde deve ser comemorado com perspectiva de vida, da garantia de nossas vidas. É uma reflexão diante de tudo o que tem acontecido, sobre o que cada um está fazendo ou não, e desse momento. Enquanto saúde pública, priorizamos o Covid, mas mesmo diante da pandemia não paramos, tem muita coisa além disso, as outras doenças não pararam, seguimos fazendo exames, nosso centro de diagnose está com uma estrutura melhor para atender aos pacientes. Precisamos manter a ‘roda girando’. A nossa equipe é muito boa, conseguir manter o psicológico estável não é fácil, manter o equilíbrio emocional é bastante desafiador. Algumas pessoas adoeceram de Covid em 2020 e voltaram a trabalhar exatamente porque possuem amor pela profissão. Trabalhar no UPA Nações, PA da Barra, Ruth Cardoso e Centro Covid não é fácil, mas nos mantemos juntos, apoiamos os nossos colaboradores, temos projetos dentro do Ruth e do Centro Covid de fisioterapia, acupuntura, pois sabemos que ‘viver com a morte’ é algo muito complicado. O foco hoje é a vacinação, avançar com as faixas etárias, e inclusive vemos que já está dando resultado, pois diminuiu o número de internações de pessoas mais idosas. O apoio que vem da comunidade também é muito importante, houve alunos que fizeram cartinhas para os profissionais da saúde, na vacinação já recebemos flores e chocolates. Acontecem demonstrações de carinho que são muito valorosas nessa época tão delicada. Saúde significa viver, cuidar de você e de seus protocolos, continuando a seguir os protocolos de higiene e segurança”.

Mario Fernando Silva

Diretor de serviços próprios da Unimed Litoral

(foto- Waldemar Cezar Neto)

“Realmente foi um período bastante desafiador. Neste ano de pandemia passamos por muitos dias bastante difíceis, foi ao mesmo tempo um ano de aprendizado, não de lamentações, de muito aprendizado mesmo. Aprendemos a fazer mais com menos. Aprendemos sobre a nossa grande capacidade de adaptação. Nós transformamos o nosso hospital realmente em um hospital de campanha, readequamos a estrutura física em pouco espaço de tempo para atender a demanda dos nossos clientes e isso nos fez acreditar em nossa capacidade de fazer sempre mais e melhor. Olhar para o Dia Mundial da Saúde com esse cenário é bastante intrigante, porque deveríamos estar comemorando a saúde e não estamos. Estamos lamentando a doença, porque os números são devastadores e nós nunca vivemos no cenário da saúde no mundo o que estamos vivendo hoje. Trabalhar a cabeça não só a minha, mas das pessoas que estão aí na linha de frente, tem sido nosso maior desafio, porque acreditamos que ainda vamos colher frutos e reflexos na saúde mental das pessoas desse período para frente e da saúde física também, falo principalmente dos profissionais de saúde. A saúde física tem uma capacidade de recuperação mais rápida do que a saúde mental. Nós chegamos a ter momentos, em que a equipe inteira dizia nós vamos embora, porque não aguentamos mais, todo mundo chorando, estressado, no limite. Essa sequela psicológica das pessoas que ainda vão trabalhar por muito tempo tem sido hoje o nosso maior desafio e vai ser por bastante tempo. Então fica difícil comemorar um dia mundial de saúde em um cenário como esse. Mas não podemos perder a esperança de que dias melhores virão, estamos na expectativa da vacina para que esse cenário seja revertido. Cuidar da cabeça das pessoas tem sido hoje o nosso maior desafio”.

Syntia Sorgato

Diretora geral de Gestão Hospitalar do Hospital Municipal Ruth Cardoso

Syntia Sorgato (foto Arquivo pessoal)

“Considero a saúde como o maior bem do ser humano. Tendo saúde, a gente busca metas, cumprir desafios pessoais, aproveitamos com quem amamos. Esse Dia vem para coroar o período que estamos vivendo há um ano e também como um alerta para mantermos a saúde e reconhecermos quem está na linha de frente. Nossa equipe está com um cansaço mental maior que o físico, porque já estamos vivendo a pandemia há muito tempo. Uma ‘vantagem’ que temos em relação a 2020 é que muitos dos colaboradores já tiveram Covid – um terço, talvez – e já vacinamos toda a nossa equipe. Hoje há poucos casos de Covid em nosso quadro de funcionários. Vemos que cada dia é uma batalha e é uma vitória estarmos vivos e passando juntos por isso tudo. Realizamos cerca de seis a sete mil atendimentos/mês no Ruth e dois mil no Centro Covid. Hoje os casos ou suspeitas de Covid correspondem a 30% de nossos atendimentos. As pessoas primeiro consultam e, se estão no período de teste – com dois sintomas ou mais e entre o terceiro e sétimo dia de sintoma, já testamos. Se não corresponde, agendamos o teste. O fluxo de nosso pronto-socorro adulto também é alto, pois as outras patologias não deixaram de existir, como acidentes de trânsito, problemas cardíacos e renais. Atendemos também crianças, mas com a UPA do Bairro das Nações o número diminuiu. Esperamos que as pessoas se sensibilizem com a pandemia, já passou um ano, sabemos que todos estão cansados – nós também estamos –, mas os cuidados precisam continuar, como o distanciamento, uso de máscara, higiene das mãos. Não espere ter alguém conhecido com um caso grave de Covid para se cuidar, se cuide antes. A prevenção é o melhor remédio”.

Vinícius Rodrigues Blanco Vieira

Médico do Centro Covid de Balneário Camboriú

O médico Vinicius trabalha no Centro Covid (foto Arquivo pessoal)

“Estar envolvido com cuidar de pacientes com Covid não é nada fácil, ainda mais nesse momento, em que estamos com pacientes mais jovens e vendo a gravidade dos casos. Tudo isso nos leva a crer que a doença não escolhe a idade ou se tinha saúde ou não. É muito difícil saber do negacionismo de parte da população, já que nós estamos vivenciando a morte. É um sentimento de indignação e frustração. Infelizmente tem gente que ainda não acredita na gravidade. Um ano se passou e o nosso trabalho continua sendo muito árduo. Tentamos deixar os colegas tranquilos, buscamos ter uma rotatividade maior porque muitos dos profissionais trabalham em mais de um local, dividimos a frustração de perder pacientes. Eu sou de Curitiba, Balneário foi buscar a nossa equipe para auxiliar e assim poder dar um descanso para os colaboradores e não sobrecarregá-los tanto e assim melhorar a qualidade de vida deles, o que é primordial porque o abalo psicológico desse momento é muito forte. Mesmo com as dificuldades, eu nunca pensei em sair da UTI. Quem está nesse processo precisa procurar manter a calma, às vezes fazemos 48, 60hs e plantão, e temos que ter a cabeça no lugar e continuar. É importante termos folga para a mente ‘voltar ao lugar’. Com a mente cansada não conseguimos tratar bem o paciente. Faz muita diferença amar a profissão, todos os profissionais da saúde que continuam até hoje, um ano depois, amam a profissão, caso contrário não aguentariam. Mesmo sobrecarregados, amamos o que fazemos. Nós médicos somos ‘uma pecinha’, todos os profissionais envolvidos no Centro Covid são muito comprometidos e parabenizo a todos eles. Sabemos que esse momento difícil se estenderá por mais tempo e precisamos seguir correndo atrás. O Dia Mundial da Saúde acaba trazendo reflexão, para que paremos para pensar sobre a saúde. É sobre saúde mental, alimentação saudável, atividade física. É prevenção. Busque saúde por completo e não só para tratar uma doença. Previna-se, se cuide antes de adquirir a doença, como o Covid”.

Profissionais no Centro Covid lidando com a morte todos os dias (credito Ivan Rupp)

Priscila Teixeira

Diretora de saúde bucal do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO)

(foto- Arquivo Pessoal)

“Diante de uma data tão especial como o Dia Mundial da Saúde, não poderíamos deixar a odontologia de fora. Quanto à especificidade da atenção em Saúde bucal, sabe-se que a saliva representa um importante meio de transmissão do Sars-Cov-2. Na realização do tratamento odontológico muitas vezes utilizamos equipamentos rotatórios, gerando aerossóis e gotículas muito pequenas que podem ficar suspensas no ar por longos períodos. Daí a grande importância de procedimentos rígidos de biossegurança para prevenir a infecção paciente-profissional e paciente-paciente. 

Diante da atual situação em que se encontra o Estado, os procedimentos odontológicos realizados no SUS, se restringem à urgência e emergência. A razão desta orientação do Ministério da Saúde se dá para que os pacientes permaneçam menos tempo na cadeira odontológica, a fim de gerar menos aerossol, para dar tempo suficiente para correta higienização da sala de atendimento, higienização de equipamentos e muitas vezes rodízio da equipe.

Com essa redução de atendimentos, a odontologia do Município está distribuída em várias atividades atípicas à função habitual, porém todas elas como linha de frente. Uma delas é o laboratório de testagem, anexo ao CEO, onde a equipe de coletadores é composta por odontólogos. Temos também atendimento odontológico diário dos pacientes da UTI-CMATC, para auxiliar a equipe multidisciplinar. A equipe odontológica, composta por odontólogos e técnicos desempenha grande apoio para secretaria de saúde desde o início da pandemia. Vivemos momentos difíceis, doloridos muitas vezes, porém sempre com esperança de dias melhores”.

Aline Leal

Diretora do IMAS (Instituto Maria Schmitt), que administra a gestão de pessoas da UPA Nações

Aline, gestora da UPA Nações (foto Divulgação)

“O Dia Mundial da Saúde é sempre focado na saúde preventiva e agora estamos vivendo momentos muito difíceis, com a pandemia, e o foco vem sendo trabalhar a saúde de nossos colaboradores, pois se eles recebem esse cuidado conseguem, lá na ponta, atender melhor o paciente que também vem até nós para buscar saúde. Antes trabalhávamos mais no preventivo, e agora o lema é: saúde gera saúde. Estamos fazendo ginástica laboral, temos o projeto Cuidando de Quem Cuida. Balneário é uma cidade sazonal, litorânea, as pessoas vêm para cá, incluindo os profissionais da saúde, em busca de mais qualidade de vida, mas há um custo elevado e percebemos que está havendo uma sobrecarga. O cansaço físico é notável, por isso estamos buscando cuidar mais de nossa equipe, motivando-a. O IMAS tem essa preocupação porque a pandemia traz um desgaste físico-emocional. De novembro até hoje estamos realizando cerca de sete mil atendimentos/mês, achávamos que era pela temporada, mas na verdade são moradores da cidade e da região. Também fazemos testes de Covid, cerca de 25 a 30/dia. Percebemos que a população está preocupada, porém os jovens não se importam, e por isso os casos entre eles estão aumentando tanto. Também temos a área da pediatria, hoje 40% dos atendimentos entre as crianças são de problemas respiratórios e quadro gripal pela troca de temperatura e retorno das aulas; também recebemos média e alta complexidade [pacientes ficam no máximo 24h no local, sendo então transferidos para o Ruth Cardoso ou Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí], como acidentes de trânsito, crise hipertensiva, surto psicótico, tentativa de suicídio, pacientes com câncer terminal. Muita gente tem medo de pegar Covid e vem para a UPA, e nós os atendemos porque entendemos esse medo. Nos preocupamos com a saúde de todos”.

Leandro Teixeira Ghilardi

Enfermeiro e coordenador do Posto de Atenção Infantil (PAI) de Balneário Camboriú

PAI realiza 1.200 atendimentos por mês (foto PMBC)

“Falar de Dia Mundial da Saúde é falar da OMS (Organização Mundial da Saúde), que se une ao Ministério da Saúde, que trata da regulamentação da saúde… nos faz lembrar de toda uma história, logo da pandemia, da vacina, que é uma conquista do SUS porque é gratuita. O Dia traz lembranças que marcam. A saúde em si é muito abrangente, é o bem-estar físico, emocional. Falar de saúde não é só falar de doença. Quando falamos da pandemia, é sobre a prevenção, uso de máscara, utilização de álcool gel, distanciamento – que é uma grande preocupação aqui no PAI. Nosso espaço é grande e conseguimos fazer circulação de ar, e quando há muitas pessoas também intervimos e colocamos cadeiras do lado de fora, com limpeza frequente, fiscalização de aglomerações. Nós fazemos, ao total, 1.200 atendimentos/mês, incluindo psicologia, fonoaudiologia, parte médica, nutricionista, serviço social e audiometria (cerca de 30 funcionários ao total). Como o PAI atende uma grande densidade, crianças e adolescentes, precisamos ter uma grande preocupação. Na última semana, adiamos três atendimentos porque as crianças estavam com sintoma gripal e, na dúvida, as encaminhamos para o Centro Covid. Os pais estão tendo essa preocupação também. A pandemia acometeu as crianças e os adolescentes no sentido emocional, já que trouxe o distanciamento social e, logo, perdem a habilidade de interagir com outros indivíduos. Na adolescência, principalmente, isso tem muito peso, já que é um período de formação. O retorno para a escola tem remetido a sentimentos que a pandemia sucumbiu. Incentivamos que eles tenham mais interação, como Grupo de Escoteiros, pois somente o virtual não é suficiente. Falamos de vida: o adolescente precisa viver sem a responsabilidade de um adulto, vivenciar; eles têm direitos e responsabilidades próprias. Outro foco é a nossa equipe, desde que retornamos ao presencial (em setembro) passamos a realizar o Momento em Equipe, com capacitações, interações, debates. Houve uma edição nesta quarta (7), que é quando tiramos o dia para voltar a nossa atenção aos servidores. Acontece uma vez por mês, das 7h as 19h. É muito bacana, já fizemos meditação, reiki, incentivo ao autocuidado. Precisamos buscar vida, lembrar de saúde é lembrar de vida”.

Parte da equipe do CEO, trabalhando desde o primeiro dia da pandemia, muitos tiveram a doença, alguns mais graves, mas todos seguem firmes (foto- Divulgação/CEO)

Cristiane Souza Pernar

Técnica em enfermagem do Posto de Saúde Central

Cristiane está atuando na vacinação, no postinho da 1.500 (foto Arquivo pessoal)

“Vejo que as pessoas estão dando mais importância ao Dia Mundial da Saúde por conta da pandemia. As pessoas estão realmente olhando para a saúde, porque pela pandemia precisaram ficar longe da família, tendo um autocuidado maior… por mais que alguns não estejam tendo a dimensão da pandemia. Estou participando da vacinação e vejo que, ela, é a esperança. Escuto relatos de quem está sendo vacinado de que estavam longe de seus parentes e que agora pensam em retornar ao convívio. Há uma ansiedade, principalmente daqueles que ainda não chegaram na faixa etária para serem imunizados, muitos vêm diariamente ou nos ligam para saber quando chegará a hora, mas não sabemos. Temos que esperar. Há também a ansiedade entre os que já receberam a primeira dose e agora aguardam a segunda. Querem a imunização completa. Percebemos também que há o medo com a vacinação incorreta, já que houve casos que apareceram na TV, por isso antes da aplicação mostramos o líquido, a seringa, para que não haja desconfiança. A vacinação hoje é o mais importante, mas orientamos que o autocuidado continue, porque mesmo quem foi imunizado pode contrair Covid. A vacina evita que seja um caso de internação, o foco é evitar a forma mais grave da doença, assim como a da gripe. A pandemia não é um exagero e é lamentável que tantas pessoas a ignorem. É esse pensamento que está fazendo os casos aumentarem. Eu trabalho na vacinação, também transporto pacientes com Covid, e vejo que há muitos debilitados, vejo o cansaço e a progressão da doença, e realmente só quem trabalha diretamente com o vírus, vendo casos de perto, tem ideia do problema que é. Enquanto a doença não acometer um ente querido, muitos não vão se sensibilizar, e é triste precisar chegar nesse ponto. Nós, profissionais da saúde, vivemos uma tensão diária, a pandemia não afeta só o físico e sim o nosso emocional também. Temos medo também, e com certeza merecíamos mais respeito. Somos felizes pelo carinho que recebemos, inclusive ganhamos recentemente cartinhas, que vieram de alunos de uma escola da região”.

Jéssica Costa Sousa Caldeira

Técnica e coautora do Programa Abraço ao Servidor

Jéssica em atendimento com profissionais do Hospital Ruth Cardoso (foto Arquivo pessoal)

“Fui co-autora do programa em 2017 e até hoje atuo nele. Eu trabalhava na divisão de gestão de pessoas e, por ter formação em Psicologia, fui convidada para idealizá-lo junto a outros colegas e com o prefeito Fabrício Oliveira. No início da pandemia, a nossa demanda diminuiu, já que atendíamos até então mais profissionais da Educação, mas aí aumentou a procura por parte dos profissionais da Saúde, relatando pressão, esgotamento, medo do desconhecido, novas informações sobre o vírus chegavam a todo momento, medo de se contaminarem e levarem o vírus para seus familiares. Nesse ano a situação piorou, e agora estamos fazendo atendimentos diretamente no Hospital Ruth Cardoso e Centro Covid. Fazemos desde atendimentos individuais como também em grupos [de até cinco pessoas e ao ar livre]. Fizemos formações para falar sobre o autocuidado, temos grupos terapêuticos para falar sobre o que eles sentem – o que tem sido muito importante, ainda mais agora que os casos se agravaram. Trabalhamos com o sentido de eles estarem ali, trabalhando, e vemos o amor que sentem pela profissão, mesmo com as dificuldades diárias. Se eles não amassem o que fazem, não aguentariam. E eles enxergam a importância do trabalho. Utilizamos uma frase de Nietzsche: “Quem tem porque viver, suporta qualquer como”; valorizamos a importância de eles estarem ali e a potência que cada um deles é. Trabalhamos o significado da morte, eles trazem relatos também, focamos no ressignificar da própria vida e da profissão. O apoio psicológico e do Abraço ao Servidor tem sido muito importante, pois mostramos que esses profissionais tão importantes têm com quem contar, somos uma rede de apoio para quem está sendo o apoio de quem está adoecido. O sentimento mais presente neles é a angústia, mas o amor pela profissão se destaca. Eles também relatam a frustração com o negacionismo, mas veem que precisam se blindar emocionalmente e, também, fisicamente com todo o aparato. É um cenário de guerra para eles, além da impotência diante da saúde. Já nos relataram que pacientes estavam conversando, apresentando melhora, e em 24h entraram em óbito. Choca muito também o número de jovens perdendo a vida, mesmo eles dando o melhor deles. É muita morte e isso impacta muito. Há relatos de profissionais com dificuldade para dormir e comer, para encontrarem momentos de lazer e cuidado, e tentamos trazer a importância dessa pausa e da presença no ‘aqui e agora’, pois não adianta estarem de folga e com a cabeça no hospital. Vivenciando isso tudo vejo o quanto é triste a falta de sensibilidade de algumas pessoas. Sabemos que a vida continua, mas muitos não cumprem o básico que é usar máscara, álcool gel, não aglomerar. Há decreto sobre não poder utilizar a praia e as pessoas montam até guarda-sol! É frustrante. Mas seguimos aqui como retaguarda para quem está cansado e sobrecarregado, seguimos fortes para ser o suporte deles, pois os profissionais da saúde não podem ficar sozinhos agora”.

Eliane Guedes Casatti

Diretora da Vigilância Ambiental, da Secretaria da Saúde, coordena o Programa de Combate ao Aedes Aegypti

(foto – Arquivo Pessoal)

“Neste Dia Mundial da Saúde é preciso alertar que hoje fazemos parte dos municípios catarinenses infestados, porque estamos com 673 focos do mosquito Aedes Aegypti; 1 caso autóctone e 1 caso indeterminado de dengue.

Neste período de chuva e de pandemia de Covid-19, é importante que a população redobre os cuidados em manter a piscina limpa e tratada, calhas limpas e niveladas, caixa d´água limpa e fechada. Evitar plantas aquáticas e pratos de plantas, esfregar com esponja, água e sabão os potes dos animais de estimação, entre outros cuidados, assim evitamos a dengue, zika e chikungunya”.

Equipe de combate ao Aedes aegypti não pára. Mas todos têm que fazer a sua parte. (credito – Divulgação/PMBC)

DIA MUNDIAL DA SAÚDE

“Em vez de comemorar, estamos lamentando o agravamento da pandemia”, afirma deputado Caropreso

Parlamentar destaca o trabalho dos profissionais de saúde

(foto- Divulgação/Assessoria Gabinete)

A passagem do Dia Mundial da Saúde foi destacada pelo deputado estadual Vicente Caropreso (PSDB) no plenário da Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (7). O deputado, que é médico neurologista, se solidarizou com os profissionais de saúde que atuam na linha de frente no enfrentamento da pandemia e criticou a falta de unidade nacional para enfrentar a situação.

“Um abraço a todos os profissionais de saúde, não só os médicos, enfermeiros, mas também aos motoristas de ambulância e demais trabalhadores que estão na linha de frente contra a pandemia, essa gente que está lá na ponta colocando sua vida em risco para salvar vidas. Gente que sente diretamente os efeitos dos erros cometidos no enfrentamento à Covid-19. Acompanhamos todas as dificuldades.  Nosso carinho, respeito e admiração. Falo isso em nome da Comissão de Saúde e da Assembleia Legislativa de Santa Catarina”,  afirmou em tom de desabafo.

Criada em 1950, a data marca o dia da fundação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que ocorreu em 1948. O tema deste ano da campanha da organização é “Construindo um mundo mais justo e saudável”.

“Pelo segundo ano consecutivo, estamos celebrando o Dia Mundial da Saúde em meio à pandemia, essa guerra que já matou mais de 330 mil brasileiros”, afirmou o parlamentar. Ele destacou que a pandemia aprofundou as desigualdades sociais no país “dificultando ainda mais que milhares de cidadãos e suas famílias tenham acesso a uma vida saudável”.

O deputado criticou a falta de uma direção que unificasse o país nas ações contra a pandemia e a proliferação de falsas informações que são propagadas por lideranças políticas em redes sociais.  “Temos livros, temos escolas, universidades e tem o WhatsApp que prolifera fake news contra a ciência. Em vez de estarmos comemorando índices melhores, estamos lamentando o agravamento da pandemia, patinando em razão de nós não termos liderança e um discurso unificado que pudesse reforçar todo o esforço que os profissionais de saúde estão realizando.”


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