- Publicidade -
18 C
Balneário Camboriú

Balneário Camboriú possui poucas vagas de emprego: perspectiva é de melhora na economia só em 2022

Nesta quarta-feira (10) foi divulgada a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral, a Pnad Contínua, através do IBGE, onde Santa Catarina apareceu novamente com a menor taxa de desemprego do Brasil, com base no quarto trimestre de 2020 (5,3% – a taxa de desemprego nacional é de 13,9%). O número significa uma redução de 1,3 pontos frente ao trimestre anterior (a média anual do Estado ficou em 6,1%). O ano encerrou com 196 mil pessoas procurando emprego em SC, 47 mil a menos do que em setembro. Segundo a pesquisa, 1,579 milhão de pessoas trabalham com carteira assinada no Estado (87,9% do total de vagas), e 217 mil sem (o total de pessoas no mercado de trabalho no Estado é de 3,471 milhões, com população estimada em 7,2 milhões). O rendimento médio do trabalhador catarinense é de R$ 2.726,00.

Apesar de não haver dados precisos quanto ao número de demissões em Balneário Camboriú, somente na Foz do Rio Itajaí, região que engloba a cidade, 89,4 mil pessoas perderam seus empregos, de acordo com informações de pesquisa realizada pelo Sebrae/SC, Fiesc e Fecomércio. Na segunda-feira (8) o posto do SINE (Sistema Nacional de Emprego) da cidade contava com 65 vagas (a média é de cerca de 100 por dia), a redução ocorreu por conta do agravamento dos casos de Covid-19; já no Sistema Municipal de Empregos (SIME) há 27 vagas. 

Na Câmara, há projetos em apoio à população vulnerável que estão tramitando, como o do vereador Omar Tomalih, que trata da reserva de vagas para mulheres em licitações para contratação de serviço terceirizado, e um de Kaká Fernandes, acerca da concessão de auxílio-moradia às mulheres vítimas de violência doméstica. O vereador Eduardo Zanatta também possui um projeto [ainda não protocolado] sobre uma possível Renda Básica Municipal, que poderia beneficiar 3.390 moradores da cidade.

O Página 3 ouviu nesta semana representantes das mais diversas áreas, desde turismo, construção civil, condomínios, comércio e também a Associação de Micro e Pequenas Empresas (AMPE), que opinam sobre a situação econômica da cidade, que ainda luta para se recuperar – o que tende a acontecer de forma mais efetiva somente em 2022.

SINE e SIME:
procura por vagas aumentou

Sede do SINE, na Rua 2.550 (foto Google)

Bruna Gonçalves

Assistente administrativa do SINE de Balneário Camboriú

“Atualmente estamos com uma grande procura de vagas de emprego. Essa procura por vagas começou a crescer no mês de dezembro de 2020, e ocorre inclusive por trabalhadores de outros Estados visando migrar para Balneário Camboriú. A quantidade de vagas e as áreas disponíveis variam diariamente de acordo com a procura das empresas para cadastrar vaga e dos trabalhadores para pegar encaminhamento. Na última semana, em função da gravidade na disseminação do novo Coronavírus, tivemos uma queda na oferta de vagas. Na segunda-feira (8) estavam disponíveis 65, mas temos tido uma média de 100, 120 vagas/dia. No fim de novembro chegamos a ter 200 vagas abertas. A grande maioria dessas vagas é operacional (empregada doméstica, auxiliar de limpeza, auxiliar de cozinha, cozinheiro, pedreiro, eletricista, auxiliar de manutenção), com um pouco menos de frequência recebemos também oferta de vagas para vendedor, operador de caixa, recepcionista, auxiliar financeiro, auxiliar administrativo, zelador, entre outras. 2020 foi um ano atípico pra todos, no SINE não foi diferente. Uma parte dos colaboradores em trabalho remoto (grupo de risco), outra parte manteve assim que autorizados pelo governo do Estado os atendimentos presenciais (atualmente dos nove funcionários estão apenas com duas), porém mantendo o novo protocolo para contenção do vírus, os atendimentos passaram a ser feitos em sua grande maioria por telefone e uma parte presencial com agendamento (mediante identificação da necessidade). Seguimos ainda nessa forma de atendimento, porém ressaltamos que nossos atendimentos não pararam, embora isso tenha acontecido com outros SINEs da região. Nossas expectativas para 2021 estão bem atreladas ao calendário de vacinação contra o Coronavírus. Claro que nosso trabalho se mantém, no sentido de parcerias com empregadores para abertura de vagas e de atendimento aos trabalhadores, porém, nossa experiência até aqui tem nos sugerido que o desempenho de nosso trabalho está mais do que nunca atrelado não somente à economia da cidade, mas a saúde pública em geral”.

  • O horário de funcionamento do SINE atualmente é das 12h30 às 18h30, de segunda a sexta-feira. Atendimentos por telefone nos números (47) 3398-6523 Bruna, (47) 3398-6066 Central, (47) 3398-6524 Ana. Os atendimentos presenciais precisam ser agendados. O posto do SINE fica na Rua 2.550, nº 1.135, no centro da cidade.
Atendimento no SIME é só para moradores de Balneário Camboriú (foto Divulgação/PMBC)

Christina Barichello

Secretária de Inclusão Social (o SIME pertence a pasta)

“Cerca de 30 a 40 pessoas nos procuram por dia. Atendemos somente moradores de Balneário Camboriú. Temos 27 vagas abertas (dados de terça-feira, 9), como chapeiro, vendedora, costureira, auxiliar de cozinha, auxiliar de lavanderia, doméstica, recepcionista, motorista, dentre outras. Também trabalhamos com cursos profissionalizantes, como instalação de ar-condicionado, reparos, panificação. Eles eram presenciais, e por isso não estão acontecendo. Conseguimos realizar online o curso ‘Diarista 5 estrelas’, que contou com a participação de 380 mulheres. Nele apresentamos técnicas de sanitização de casa, relacionais, autoestima, como tratar as pessoas, planejamento financeiro. As participantes receberam diploma, equipamentos (como touca, luva, álcool gel, jaleco). Iríamos fazer, começaria nessa semana, um curso de pintura automotiva, mas que precisou ser cancelado por conta do aumento de casos de Covid. Há cursos que não tem como ser online, como os da área de gastronomia, beleza. Temos parceria com o Senai e Senac e compramos esses cursos deles. Percebemos que a temporada foi difícil, mexeu com a economia, muitas pessoas que conseguiam se manter perderam seus empregos, precisam da ajuda do governo. Quem trabalhava no mercado informal não conseguiu se manter. Mesmo fazendo poupança, imagina ficar um ano com o trabalho afetado ou até mesmo sem trabalhar? Seguimos auxiliando quem precisa, fazemos uma avaliação social e damos cesta básica e kit proteico. O banco de alimentos continua, quem precisa pode procurar o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) nos bairros Nações, São Judas e Municípios ou diretamente na Casa da Mulher (Rua 2.850, nº 303). Já assistimos 23,2 mil pessoas. Todo mundo está assustado com a questão da economia, Balneário está reagindo, mas é difícil ver pessoas que nunca precisaram de ajuda vir até nós. Lembro de um taxista que chegou chorando, dizendo que iria devolver o que recebeu. Já teve pessoas que receberam doações e depois retornaram para doar. Assim como a violência contra a mulher, que é uma pandemia dentro da pandemia, a situação econômica também entra nisso. As pessoas estão desesperadas, e na Inclusão Social estamos tentando apoiá-las da melhor forma possível”.

  • O SIME atende aos moradores de Balneário Camboriú de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h, na Rua Itália, nº 1.059, no Bairro das Nações. Informações: (47) 3344-2559.

Moradoras de Balneário relatam dificuldade para encontrar trabalho

“Estava vendendo empadinhas na rua para sobreviver”

Fátima Regina dos Santos Pereira

54 anos, cuidadora de idosos

(foto Arquivo pessoal)

“Vim para Balneário em 21 de novembro de 2019, eu morava em Porto Alegre. Lá, eu trabalhava em higienização hospitalar, mas quando me mudei pra cá não consegui emprego nessa área. Me falavam que aqui era muito bom para trabalhar, que haviam vagas para quem estava disposto a trabalhar bastante, eu vim basicamente com uma muda de roupa e passagem só de vinda. Consegui trabalho inicialmente como diarista e depois como cuidadora de idosos, e foi onde me encontrei. Fui despedida porque ainda no começo da pandemia eu peguei uma gripe. A partir disso a situação ficou péssima. Precisei contar com ajuda do CRAS, atrasei o aluguel, luz, água… estava quase perdendo a minha casa. Com o apoio da Secretaria de Inclusão Social consegui me reerguer. Voltei a ser cuidadora em novembro, mas só porque consegui uma pessoa da área para me indicar, porque com o currículo não consegui. Fiquei seis meses desempregada, estava vendendo empadinhas na rua para sobreviver. A prefeitura me passou cesta básica, ajudaram também depois do ciclone de junho com lonas e telhas porque minha casa foi destelhada. Agora as coisas estão muito melhores, por conta do trabalho já tomei as duas doses da vacina. Ela é a esperança de que isso tudo vai passar logo, mas infelizmente as pessoas estão fazendo muito pouco caso, até que não aconteça perto de si não vão ver o quanto é grave. Por trabalhar com os idosos eu tenho cuidados redobrados, tenho medo ao andar na rua, ao pegar Uber. Sei que fiz a escolha certa em vir para Balneário, porque fui muito bem acolhida aqui, com a minha família, tenho um filho de 14 e um de 22 e duas gêmeas de 12 anos”.

“Até agora estou tendo dificuldade com as contas”

Sirlei Antunes

50 anos, trabalha como diarista

“Me mudei para Balneário há seis anos, eu trabalhava na área da Educação Infantil, tenho magistério, mas aqui nunca consegui trabalho nessa área. Agora estou fazendo limpeza, como diarista, mesmo tendo 15 anos de experiência como professora. É bem frustrante, eu queria trabalhar com o que eu gosto, mas precisamos sobreviver, né? O número de faxinas também diminuiu, porque as pessoas têm medo de chamar por conta da pandemia. É uma realidade bem difícil. Até agora estou tendo dificuldade com as contas, meu marido está desempregado também, ele era pedreiro, tem 62 anos, então não pode trabalhar porque é grupo de risco. A vacina pode ajudar de alguma forma, é a esperança, mas as pessoas precisam ter mais consciência, evitar junções. Minha filha tem 18 anos e também não consegue emprego, porque não tem experiência, ela quer fazer faculdade, mas está tão caro. Tentamos bolsa, mas mesmo assim tem que pagar um valor alto de matrícula. Esperamos que as coisas melhorem no segundo semestre, mas a pandemia está sendo ‘nova’ a cada dia. Precisamos de mais oportunidades, eu até fiz um curso pela prefeitura, mas queria ser professora novamente. Fiz o concurso, mas não fui chamada. Fiz o de agente de saúde agora no começo do ano também e fiquei em terceiro lugar, mas ainda não fui chamada. Deus proverá, né? Esperamos que sim”.

Representantes de segmentos opinam: falta de vaga é geral

“Estamos vivendo as consequências das negligências dos nossos governantes”

Olga Ferreira

Presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, Bares, Restaurantes e Similares de Balneário Camboriú e Região

(foto Arquivo pessoal)

“Realmente não houve muitas contratações na temporada 2020/2021 como todos os anos, em hotéis, restaurantes, mesmo porque ainda em 11 de março do ano passado, nós, junto com o sindicato patronal (Sindisol), fizemos dois acordos aditivos na nossa convenção para que não houvesse tanto desemprego. Na época, Balneário Camboriú vinha com um cronograma de eventos, agora viria a terceira idade, depois Gideões, novembro e dezembro grupos de escola, de formaturas. A maioria dos trabalhadores de nossa categoria eram efetivados, as empresas fizeram de tudo para mantê-los também porque como é mão-de-obra sai caro mandar embora, depois de dois, três meses contratar outro e fazer todo um treinamento. É complicado, né? Por exemplo, o cozinheiro de um restaurante – o estabelecimento precisa ficar com o mesmo para não mudar o padrão da comida, assim como nas equipes da hotelaria. Houve essa manutenção de emprego em plena pandemia. A pessoa com experiência nessa área, prestadores de serviço, principalmente a parte administrativa, de atendimento, porque o garçom antes, há uns 15 anos, era um carregador de bandeja, hoje ele promove a cidade, precisa ser bem informado. A qualificação, a experiência, é extremamente importante. O garçom é bem pago, temos garçons que junto com a taxa de serviço tira em torno de R$ 4, R$ 5 mil/mês. Não tem mais de chegar e dizer que será garçom, se não tem experiência será cumin (auxiliar de garçom). Nós, trabalhadores, empresários, estamos vivendo as consequências das negligências dos nossos governantes, em nível Federal, Estadual, por terem deixado no final do ano, no Carnaval, correr solto, como se não estivéssemos passando por uma pandemia, e agora veio a conta. Estamos novamente nos reunindo para tentar ‘estancar’ o desemprego, essa é a nossa grande preocupação. Eles falam em lockdown, porque o caos realmente está instalado. Na hora que era para fiscalizar, acabar com festas clandestinas, impedir aglomerações na praia… agora está vindo a conta para todo mundo. Nosso lema agora, para os empresários, inclusive falei para eles, que estão falando em fazer uma carreata contra o lockdown, que o nosso grito agora precisa ser por vacinas para todos. Vacinar os professores, grupo de risco, nossos trabalhadores do turismo. Precisa ser feito algo urgente em prol da vacina e mais leitos de UTI. Não está podendo vender bebida alcoólica após as 21h e segue o lockdown de final de semana exatamente para não acontecerem acidentes de trânsito, porque sabemos que o Estado inteiro está com as UTIs lotadas, com raríssimas vagas, que são liberadas quando ocorrem óbitos. O trabalhador chega em casa e está com a mãe, com o pai, os avós. É preciso cuidado com a saúde também, nos preocupamos com isso. Hoje vemos o rosto de cada número de morte. Já perdemos várias pessoas conhecidas, como um pizzaiolo, o Renato Clemente, que faleceu semana passada. Temos que ter todos os cuidados e nos unir, os governantes vão precisar se virar porque queremos vacina, queremos trabalhar”.

“Nesse estágio, sobreviver é lucro”

Rafael Felipe de Souza

Presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Balneário Camboriú (SECBC)

(foto SECBC)

“O comércio está todo retraído, nem podemos dizer que tivemos temporada de verão, que é o grande lucro do ano. O governo federal apoiou com o Auxílio Emergencial e as outras definições, como diminuição de jornada de trabalho e suspensão do contrato por determinado prazo – isso ajudou a garantir os empregos. Infelizmente não tivemos as contratações de verão nas grandes redes, como Angeloni, Bistek, Big, Fort Atacadista. Eles normalmente contratam cerca de 150 pessoas para o verão, e nesse ano não aconteceu. Em Balneário a realidade do aluguel é complicada, as salas são caras, o pessoal está saindo da Brasil, indo para a Terceira, Quarta Avenida. Imagina, tem sala que custa R$ 15, R$ 20 mil, e se o patrão deixou de ganhar fica difícil manter. Balneário tem turismo ainda, vem gente do oeste, do Paraná, mas estamos apenas sobrevivendo. Nesse estágio, sobreviver é lucro. É difícil fazer um levantamento de quantas demissões aconteceram no comércio, mas sabemos que foram muitas. Para os supermercados foi um ano muito bom, com rotatividade menor do que no comércio de rua. Sabemos que conseguimos manter a mão-de-obra local, quem mora em Balneário está empregado, mas quem vem para trabalhar sonhando com uma vida melhor em Balneário não encontrou vaga, porque a temporada não existiu. Há vagas, mas o pessoal precisa se aperfeiçoar, as empresas estão exigindo isso. Não querem mais contratar de forma temporária, querem ter uma equipe fixa e de qualidade. Para este ano, esperamos que o governo federal libere a venda de vacina para os empresários, não fornecendo apenas no SUS. Balneário tem uma população com dinheiro que poderia comprar, assim mais pessoas ficariam imunizadas”.

“Está muito desfavorável”

Sanção Souza Ferreira

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Balneário Camboriú, Camboriú e Itapema

(Foto Sanção foto Siticom)

“O cenário da construção civil em Balneário está muito desfavorável para as pequenas e médias empresas, pois se tornaram empreiteiras das grandes que de fato constroem as grandes obras em BC, pois não há financiamento para as unidades para habitação e somente para investimentos. A pandemia afetou ainda mais as pequenas e médias, pois o fornecimento para custeio não existiu. Sabemos que com certeza as vendas diminuíram e vão diminuir ainda mais, pois na medida que a renda diminui essa escassez vai chegar, principalmente para o comprador que não é usuário e sim investidor. Porém, quanto aos cuidados aí temos que parabenizar a todos porque foram muito eficientes. Os canteiros [de obra] são na maioria muito seguros e com um protocolo de segurança muito bom. As vagas na construção civil sempre existem, já que a rotatividade é muito grande, mas houve diminuição de oferta, sim. Está difícil para todo mundo”.

“Os shoppings realmente foram muito prejudicados”

Sérgio Luiz dos Santos

Presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SC)

(foto Divulgação/Secovi)

“O Secovi compreende várias áreas, nos condomínios realmente percebemos uma ocupação maior por conta do home office, lockdown. Por isso, houve mais trabalho neles [nos condomínios]. Porém, há um trabalho constante em cima da necessidade de especialização dessa mão-de-obra. Com o crescimento vertical, exige-se profissionais especializados. Não é mais ser faxineiro, os prédios têm tecnologia e os colaboradores precisam ter uma preparação voltada tecnologicamente-inteligente. Os shoppings realmente foram muito prejudicados, com uma baixa considerável no número de funcionários, escalas reforçadas, diminuição de horários, lockdown, falta de turistas. Não houve chamada de novos funcionários para a temporada, já que ela praticamente não existiu para o comércio. Antes os shoppings viviam cheios, hoje se você vai percebe que a ocupação está bem menor. Claro que há dias de movimento, mas não como antes. Está acontecendo uma mudança bastante brusca no comércio, que exige renegociação de aluguéis, por exemplo. A instabilidade comercial segue muito grande, e isso afeta as imobiliárias também. Houve muitas desocupações na Avenida Brasil e em outros pontos da cidade, que fecharam por conta da falta de movimento. Acreditávamos na temporada de 2021 e veio essa nova onda do vírus, com mais lojas fechando de novo. O lockdown também gera uma insatisfação nos lojistas, que não conseguem pagar suas salas, gera uma insegurança jurídica e insatisfação quanto aos aluguéis comerciais. Quanto aos aluguéis residenciais, estes também foram afetados. Muitas pessoas estão voltando para a casa dos pais, procurando aluguéis mais baratos. Cresceu demais a migração para Camboriú, que é vista hoje como cidade dormitório. Lá os aluguéis são mais econômicos e há mais opções. As pessoas que investiram na compra de imóveis durante a pandemia especularam o máximo possível. Pequenos empresários não vão investir, quem está salvando é o agronegócio, é quem está ‘segurando a bandeira’ da estabilidade financeira para o mercado imobiliário. Não há vagas nem nesse momento, na realidade as empresas estão demitindo. Quem estava admitindo era a construção civil, que tende a ‘frear’ porque houve aumento no preço da matéria-prima e isso pode refletir no mercado.  Acreditamos que em 2022 a situação tende a melhorar, mas há o temor por conta das eleições”.

“Pode acontecer debandada de MEI se vagas abrirem”

Antônio Demos

Presidente da Associação de Micro e Pequenas Empresas (AMPE) de Balneário Camboriú

(foto Arquivo pessoal)

“Balneário está sofrendo muito, é talvez a cidade da região que mais está sentindo, tendo em vista a redução do número de turistas, o fato de que a ‘força de trabalho’ do verão não aconteceu, assim como as contratações para essa época também não. Houve redução de MEIs, cerca de dois por mês foram excluídos e sete novos registrados em 2020, mas também percebemos uma menor procura por oficialização de MEIs para a temporada, nesse período normalmente tem aumento. Hoje em Balneário temos 14,3 mil MEIs, enquanto Camboriú tem oito mil – esse número vem crescendo por conta de outros setores, como construção civil e comércio eletrônico. Há também muitas pessoas fazendo delivery, tanto as entregas em si como vendendo alimentos dessa forma, percebemos uma procura significativa. Houve também aumento de e-commerce e construção civil, trabalhos como encanador, instalador de ar-condicionado, eletricista. Muitas pessoas mudaram de profissão e estão buscando outras alternativas porque foram demitidas, por não ter mercado de trabalho. Pode acontecer debandada de MEI se vagas abrirem. Em Santa Catarina abriram 6.151 novos postos de trabalho em 2020, considerando o que fechou e abriu, é um saldo positivo. Dizem que o cenário de 2021 pode ser mais difícil do que o de 2020, já que há dois fatores decisivos: os empréstimos, que ano passado colocaram o valor ‘girando’, mas agora os empresários precisam pagar as parcelas, então ao invés de entrar o valor estará saindo, e o segundo fator é o Auxílio Emergencial, que nesse ano deve ser em um valor menor e para menos pessoas. O poder de compra também vai cair, e se o turista não vem e as pessoas daqui vão gastando menos… a situação pode ficar complicada, com os pequenos comércios sentindo bastante. Pode haver melhora em 2022, mas isso se acontecer a vacinação, porque hoje ainda há um certo receio. Temos associados que representam escolas particulares, e eles foram muito afetados, estão voltando hoje com toda a preocupação, ensino híbrido, se todos forem vacinados, ano que vem eles retornariam normalmente”.

Opinião

(foto Arquivo pessoal)

“O grande plano econômico hoje é a imunização da população”

Por Alex Sandro Fidelis Maciel

“Nós temos um cenário muito desafiador em todo o país, as dificuldades da pandemia vêm se arrastando por mais de um ano e esse ‘abre e fecha’ do comércio acaba adiando a retomada econômica, nossa região, por ser uma região turística e muito forte no comércio, acaba sofrendo com isso. Temos também o detalhe que em SC tínhamos um fluxo muito grande de turistas do Mercosul, com as fronteiras fechadas isso atrapalha muito o comércio regional. O fechamento das lojas [estima-se que foram mais de 90 somente na Avenida Brasil] é puro reflexo da baixa da atividade econômica como um todo, o comércio sofre com a falta de turistas na cidade e também a pouca atividade econômica na cidade em outros setores. Esse impacto do desemprego será mais sentido a partir de agora, como tivemos o Auxílio Emergencial, ele foi amenizado. A atividade econômica ainda depende de um plano maior de imunização da população, para que a mesma consiga circular, e assim a roda econômica volte para a sua atividade normal. As vagas de empregos temporárias são uma boa demanda de mão-de-obra, como a temporada de verão foi fraca e temos ainda um cenário de incerteza quanto a viabilidade da próxima temporada, podemos ter ainda uma baixa na abertura dessas vagas. Isso atrapalha e muito, pois muitas dessas se transformam em definitivas, além de que também são muito ocupadas pelos jovens que estão entrando no mercado de trabalho, e a ausência acaba afetando a entrada deles. Mas, em contrapartida, tivemos uma manutenção na atividade imobiliária da região, uma boa notícia levando em conta que a indústria da construção civil é uma grande empregadora. Como disse o ministro Paulo Guedes, o grande plano econômico hoje é a imunização da população, devemos ter uma nova onda de Auxílio Emergencial que vai aquecer a demanda do comércio novamente. Há até mesmo empresas sendo abertas, que mostram o quanto o brasileiro é um guerreiro nato, luta por seus sonhos – isso se materializa nessa necessidade de empreender, primeiro para levar sustento pra casa, e segundo pela inquietude que temos por natureza. Temos uma expectativa de uma pequena melhora nesse ano, mas a recuperação deve vir apenas em 2022. Em 2021 ainda dependemos do desenrolar da pandemia, o aumento dos casos e em qual velocidade será a imunização da população em geral. Sem esses cenários claros na nossa frente, fica um pouco difícil termos uma retomada econômica mais agressiva. Precisamos que a população possa circular, volte a consumir e assim a retomada acontecer. Sem contar que precisamos que reformas aconteçam, reforma tributária, administrativa, uma política de privatizações claras, com isso conseguiremos retomar os investimentos no país”.

  • Alex Sandro Fidelis Maciel é economista

- publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
×

Olá, leitor

Sugestões de pautas, informações em geral.

×