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Balneário Camboriú

“Esporte é alegria, é tristeza, é ganhar, é perder… Isso é inerente ao esporte”

Josi Alves, destaque nacional do vôlei de praia

Josi Alves, catarinense de Concórdia, reside em Itapema desde 2008 e teve uma forte ligação ‘esportiva’ com Balneário Camboriú por mais de uma década, é uma estrela do vôlei de praia brasileiro, em ascensão.

O esporte faz parte da sua vida ‘desde sempre’, mas o sucesso profissional chegou há pouco mais de uma década, quando resolveu dedicar-se ‘corpo e alma’ ao vôlei de praia, a modalidade que conquistou seu coração.

Na largada da sua carreira colecionou títulos na maior competição que o Estado realiza, os Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC). Só em dupla com Leize Bianchini, levantou sete vezes o troféu de campeã, representando Balneário Camboriú.

Pós graduada na área de Educação Física, gosta de ler e escutar música nas horas de descanso.

Domingo passado, na oitava etapa do principal circuito nacional, em Saquarema, em dupla com a cearense Juliana, tornou-se uma das oito melhores do país nesta modalidade.

Ela segue treinando e competindo na pandemia, quando é convocada pela Confederação Brasileira de Vôlei. 

De volta ao seu Estado, ainda não tem uma definição, porque a pandemia travou a programação esportiva e por enquanto ela não assinou contrato com nenhum município catarinense ainda e tampouco sabe se esse ano vai ter Jogos Abertos. 

“Fazem uns 10 anos que jogo circuito e uns seis anos que estou entre as melhores jogadoras, buscando títulos e pódios”

JP3 – O Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia ainda não terminou e com o desempenho domingo (21) em Saquarema, você já está entre as oito melhores jogadoras do país? Como foi a atuação nestas oito primeiras etapas?

Josi – Eu joguei sete das oito etapas. Nestas sete, temos um segundo lugar, dois quarto lugar, dois quinto e dois 13o. lugar. Hoje estou entre as oito melhores jogadoras do Brasil e me sinto recompensada por todo o esforço que a gente vem fazendo, até em relação a tudo isso que estamos vivendo hoje.

JP3 – Como funciona a formação da dupla? Muitas vezes as jogadoras são de estados diferentes – é o teu caso, nem treinam juntas e na hora da competição tudo funciona, como se treinassem juntas o tempo todo. O treino individual na modalidade é mais importante do que o conjunto? 

Josi – Hoje estou em Santa Catarina, mas eu estava morando em Fortaleza e treinando junto com a Juliana, minha parceira de dupla. Hoje estamos separadas, mas já temos a experiência de treinar juntas e isso facilita todo o processo quando entramos em uma disputa.

A dupla Leize e Josi, multicampeã dos JASC (credito – Divulgação/FCV)

Não tem como estar entre as melhores se não estiver bem técnica e fisicamente”.

JP3 – Como se forma uma dupla? Por exemplo, em Santa Catarina, a dupla Josi e Leize (Bianchini) é dona de uma coleção de medalhas, principalmente nos Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC). Nunca existiu uma dupla como essa e vocês passam o ano praticamente longe uma da outra. Como funciona isso?

Josi – Os JASC não permitem que a gente jogue com jogadoras que não são federadas em Santa Catarina. Eu sou federada em Santa Catarina e tenho que jogar com uma parceira também federada aqui. Eu jogo com a Leize. Foi com ela que iniciei o Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia. Ainda estamos definindo como vai ser esse ano. Eu não tenho nenhum município hoje, não fui ainda contratada, então não sei como vai ser esse ano…como vai ser a minha vida aqui em Santa Catarina esse ano.

JP3 – A importância do esporte e como o vôlei de praia entrou na sua vida?   

Josi – O esporte sempre esteve na minha vida, desde criança. Eu cresci no meio do esporte.  Hoje eu não saberia o que seria minha vida sem o esporte. E o vôlei de praia foi o esporte que eu me apaixonei. Eu conheci este esporte quando jogava vôlei de quadra e comecei a jogar na brincadeira… só de lazer e ele me conquistou e entrou na minha vida. Com certeza o esporte me tornou essa pessoa que hoje eu sou. Eu não saberia o que eu seria se não tivesse o esporte…

“Com certeza o esporte me tornou essa pessoa que hoje eu sou. Eu não sei o que eu seria se não tivesse o esporte…”

JP3 – Virou uma colecionadora de títulos, mas sobretudo, firmou uma carreira profissional em um meio extremamente competitivo?

Josi – Hoje eu tenho uma carreira consolidada, sou uma atleta que, apesar de ter começado tarde,  no cenário do vôlei de praia, eu me destaquei desde o começo, então fazem uns 10 anos que jogo circuito e uns seis anos que estou entre as melhores jogadoras, buscando títulos e pódios. 

JP3 – Quais foram os títulos mais importantes até aqui?

Josi – Todos os títulos dos JASC. A etapa do Circuito Mundial na China em 2018; o título de campeã geral do Circuito Challenger Brasileiro e um título inédito para o Brasil no Circuito Mundial de Snowvolleybol, em Bariloche.

JP3 – Uma carreira nacional, com muitos títulos, exige muito na prática, cada vez as pessoas esperam mais do atleta…Na terça-feira conversamos no final do dia e você disse que estava exausta, porque havia realizado três treinamentos em um só dia.

Josi – A rotina é muito pesada. É um esporte que exige muito fisicamente. Tem dias que a gente acaba juntando com a parte física a parte técnica e faz três treinos por dia. Não tem como estar entre as melhores se não estiver bem técnica e fisicamente. Além da técnica, é preciso estar igualmente bem fisicamente, porque se o físico não estiver bom, não consigo desempenhar a técnica. 

JP3 – Quem é o seu treinador atualmente?

Josi – É o Alanson Balok, um jovem que está há tempo na área. Ele trabalha uns 4 anos comigo, juntamente com meu auxiliar técnico, que é o Fernando, é uma equipe que está junto há muito tempo e conquistando títulos.

Em dupla com a cearense Juliana (credito – Divulgação/CVB)

“Não tem como estar entre as melhores se não estiver bem técnica e fisicamente”.

JP3 – Como é treinar em tempos de pandemia?

Josi – Mesmo no meio disso tudo estamos conseguindo nos reinventar, buscar novas alternativas, conseguindo treinar e fazendo o que é preciso fazer para estar em alto rendimento.

JP3 – Muitas pessoas interrompem carreiras, porque há pouco incentivo para o esporte no país. Você enfrentou dificuldades como muitos enfrentam, mas tornou-se uma atleta internacional, hoje vive do esporte. O que o esporte trouxe para sua vida?

Josi – O esporte me proporcionou muitas coisas. Sou atleta desde criança, nos estudos conquistei muitas coisas através do esporte. A universidade que fiz foi através do esporte, os países que conheço, praticamente todos da América do Sul, muitos países da Europa, conheço alguns países da Ásia… tudo através do esporte. Pra mim ele foi fundamental na área da educação e cultural, de conhecer outras culturas.

JP3 – Um atleta profissional também precisa fazer escolhas, muitas vezes deixar de lado coisas que gosta…

Josi – O vôlei de praia no Brasil é muito competitivo. E o esporte em si, quando você é profissional, exige muito. A gente precisa abrir mão de algumas coisas para estar bem fisicamente. Dormir cedo, alimentar bem, tem que ter qualidade na rotina de treino, a gente acaba deixando de lado muitas coisas, para essas prioridades, para dar foco total em tua profissão. 

“O que fica mesmo é a nossa experiência e tudo o que o esporte trouxe para minha vida”.

(credito – Divulgação/CVB)

JP3 – Quais as principais conquistas que o esporte trouxe?

Josi – Esporte é alegria, é tristeza, é ganhar, é perder. Isso é inerente ao esporte. Vou ter muito mais vitórias que derrotas. Às vezes tem derrotas significativas, mas tudo isso passa, tudo, derrotas, títulos, tudo isso vai passar….o que fica mesmo é a nossa experiência e tudo o que o esporte trouxe para minha vida.

JP3 – Se pudesse mudar alguma coisa no esporte brasileiro, começaria por onde?

Josi – Hoje a gente entende que o esporte profissional não pode depender tanto do poder público, ele não dá conta de tudo. São necessárias políticas públicas que facilitem que o empresário possa estar patrocinando mais equipes esportivas em geral. O que eu queria mesmo era isso: políticas públicas para incentivar o empresário a estar ajudando o esporte. Também criar estímulos junto com as universidades. Eu penso que esporte e educação andam juntas. 

O que eu queria mesmo era isso: políticas públicas para incentivar o empresário a estar ajudando o esporte 

JP3 – Espaço aberto

Josi – Quero agradecer a oportunidade de poder mostrar um pouco mais de mim, dizer que como todas as outras profissões, o esporte também exige muito da gente, mas é o que fiz a vida inteira. Me sinto uma pessoa privilegiada de estar podendo hoje em dia ainda estar praticando o esporte profissional no Brasil.


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