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Balneário Camboriú

Lurdiana, bailarina famosa no Egito, é de Balneário: “O preconceito mudou muito depois do reconhecimento que tive”

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Maria Lurdiana Alves Tejas, 32 anos, ficou famosa no Egito após atender o pedido de amigas de um salão de beleza e fazer uma apresentação de dança informalmente. O vídeo foi visto mais de 100 milhões de vezes e ela virou uma celebridade no país. No Brasil, ela foi entrevistada por programas de grande alcance, como o Fantástico.

A famosa bailarina, que acumula 1,5 milhões de seguidores no Instagram (@lurdianabellydancer), é de Porto Velho, mas foi criada em Balneário Camboriú, onde chegou em 1996, quando tinha 7 anos. Por aqui, ela foi bailarina e professora do Studio de Dança Adriana Alcântara até se mudar para o Egito, há quatro anos.

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Lurdiana está passando férias em Balneário Camboriú e conversou com o Página 3. Ela retorna para o continente africano na próxima semana, quando acaba o mês do Ramadã.

JP3: Há quatro anos você se mudou para o Egito. Por que escolheu esse país? Você pensava em outros lugares antes de ir para lá?

Lurdiana: Sim, estou lá há quatro anos. Sempre achei que daria certo em outros países que possuíam a cultura de bailarinas, como Dubai, Líbano e Jordânia.

Nesses locais há muitas bailarinas. Até então eu não tinha conhecimento sobre o Egito, mas uma amiga minha foi para lá e viu que existiam boas possibilidades, que tinha mercado. A companhia de dança onde essa minha amiga trabalhava estava precisando de mais uma bailarina, foi aí que eu enviei meu material e 10 dias depois estava comprando a passagem e me mudando. Foi um processo muito rápido, na época ninguém acreditou, mas eu resolvi ir. Não cheguei a trabalhar em nenhum outro país, só viajei a turismo.

“Eu sempre falo que se eu pudesse trabalhar com o que faço no Egito aqui em Balneário, seria perfeito”.

Lurdiana
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JP3: Você nasceu em Porto Velho, mas foi criada no litoral catarinense. Como chegou em Balneário? E quando?

Lurdiana: Cheguei em Balneário em 1996, quando eu tinha 7 anos. Foi através da minha mãe, que também é bailarina e dançava em um grupo que viajava o Brasil. Eles vieram dançar em uma temporada em Balneário, e ela [a mãe] gostou muito da cidade e resolveu ficar. Ela morou uns dois, três anos, até que o restante da família veio também.

JP3: A sua ligação com Balneário continua, costuma vir sempre para cá?

Lurdiana: Eu sempre falo que se eu pudesse trabalhar com o que faço no Egito aqui em Balneário, seria perfeito. Eu gosto muito daqui, porque é uma cidade pequena que oferece tudo o que as grandes têm, não só o comércio e entretenimento, mas também a natureza. Eu sinto muita falta das praias, do litoral de SC, que são lindas. Eu venho todos os anos para Balneário. Em 2020 eu não consegui vir por conta do lockdown, o Egito ficou fechado um tempo, e então resolvi vir agora. Não é a melhor época no Brasil, mas se eu não viesse talvez não conseguiria vir depois. Lá no Egito agora é o Ramadã, que é o mês sagrado para os muçulmanos, quando eles rezam, se purificam e não tem dança do ventre. É o mês que sempre aproveito para viajar, seja vir para o Brasil como ir para outro país. Já volto para o Egito na próxima semana, porque está acabando o mês do Ramadã. Minha mãe ainda mora em Balneário, toda vez que venho fico na casa dela, aproveito para visitar minha família e amigos que tenho aqui.

“Aqui somos livres para vestirmos o que quisermos, mas lá eles consideram pecado estar com o corpo muito à mostra”.

Lurdiana
(Foto Mustaafa Turkii)

JP3: Então a dança é uma herança familiar? Sua mãe também é bailarina…

Lurdiana: Sim! (risos) Além da minha mãe, meus tios também dançaram, meu padrasto também foi bailarino… realmente a minha família é toda da dança. Aprendi a dançar em casa, com a minha mãe.

JP3: Aos 7 anos você entrou no Studio da Adriana Alcântara, começou como aluna e também foi professora.

Lurdiana: Sim, comecei aos 7 e fiz de todas as danças um pouco. Ballet, jazz e street dance, depois sapateado, dança contemporânea, dança moderna, dança de salão. Aos 15 comecei a dança do ventre e até os 20 dançava com a minha mãe, depois comecei a sair de SC para buscar por especialização, porque eu vi que era aquilo que eu queria e precisava me profissionalizar mais. Fui para o RS, Curitiba, SP. Passei oito anos estudando e me especializando, procurando os melhores professores, e enquanto eu estudava dava aula no Studio da Adriana.

“Sinto muita falta das praias, do litoral de SC, que são lindas. Eu venho todos os anos para Balneário”.

Lurdiana

JP3: Como é a sua relação com o Studio, nesses quatro anos seguiu tendo contato com a Adriana?

Lurdiana e a Adriana, em 2019, última vez que havia vindo para Balneário (Foto Arquivo pessoal)

Lurdiana: Sim, o Studio era como se fosse minha segunda casa. Eu passava mais tempo lá do que em casa. Tenho muito carinho por todos os professores, alunos, Adriana e a família dela. Passei 23 anos de minha vida lá. Eu participava do grupo de jazz da Adriana, tínhamos uma convivência muito forte. Sempre mantivemos contato nesses quatro anos, e quando volto para Balneário lá é um dos primeiros lugares que eu visito. A Adri sempre me incentivou a aproveitar para viver a dança, assim como a minha mãe. As duas foram minhas grandes incentivadoras e que sempre me deram o maior apoio.

Lurdiana dançando no Brasil, com o Grupo Adriana Alcântara. (Foto Alceu Bett)
Lurdiana (centro, de regata preta) com suas alunas, nos tempos em que era professora no Studio Adriana Alcântara. (Foto Arquivo Adriana Alcântara)

JP3: Você virou uma estrela árabe, mas, apesar da fama, sofre algum tipo de preconceito? Por ser mulher, por ser brasileira?

Lurdiana: Tem vários preconceitos. O fato de que as mulheres têm criação diferente lá interfere muito. Elas são mais discretas, sérias, fechadas em público. Não só as brasileiras, mas as estrangeiras são mais espontâneas, usam as vestimentas que querem, e eles [os egípcios] se chocam um pouco. Há um estranhamento com a forma de ser, ainda mais com as brasileiras, que são simpáticas. Para nós isso é algo natural, mas eles interpretam da maneira errada. Eu me adaptei muito à cultura deles por essa questão. Aqui somos livres para vestirmos o que quisermos, mas lá eles consideram pecado estar com o corpo muito à mostra.

JP3: Como a fama ajudou nesse sentido? As pessoas reconhecem, gostam do seu trabalho?

Lurdiana: Sim, as pessoas me reconhecem na rua, até de máscara! Sempre pedem foto, tem carinho. Não saio em muitos lugares, só quando realmente preciso, mas sempre me reconhecem. O preconceito mudou muito depois do reconhecimento que tive. Porém, até que se prove o contrário acham que todas as bailarinas fazem a mesma coisa, somos mal vistas porque algumas usam a dança para outras coisas (como prostituição). Mas eles viram que eu escolhi ser uma artista, que estudei para isso, que vim de uma família que também tem artistas. Lá eles me respeitam muito e também gostam do Brasil, citam o futebol (risos). Realmente recebo muito carinho.

JP3: A fama trouxe novos rumos, você gravou com artistas famosos, como lida com isso?

Lurdiana: Foi bem inesperado isso tudo, oportunidades foram aparecendo, mas a ficha demorou muito para cair. Eu aproveito, mas sou muito pé no chão. Fico muito feliz em poder aparecer em programas de TV, dar entrevistas, fazer clipes, são coisas muito legais, mas eu ainda sou a mesma pessoa. Não sinto que mudei, até porque esse [ser famosa] nunca foi o meu objetivo final, e sim trabalhar e fazer o que eu amo bem feito. Por isso busco equilíbrio entre as coisas externas, como ter o pé no chão.

(Foto Mohamed Abdalla)

JP3: Você também começou a ganhar em uma apresentação o que ganhava em um mês… você faz muitos shows por lá?

Lurdiana: Isso (risos). Em período de inverno não tem muitos shows. Mas agora, após o Ramadã, começa o verão e é quando eles [os egípcios] mais fazem casamentos. Geralmente trabalho todos os dias durante o verão, fazendo entre um e dois shows, às vezes até três aos finais de semana. Já surgiu de eu fazer quatro, cinco apresentações, sendo até um pouco difícil administrar a agenda. Mas no inverno é diferente, faço três shows por semana e folgo o resto, mas em paralelo faço fotos e colaborações.

“Lá eles me respeitam muito e também gostam do Brasil, citam o futebol”.

Lurdiana

JP3: Quais são os planos? Pensa em voltar ao Brasil?

Lurdiana: Pretendo continuar no Egito, a vida de bailarina não é muito longa, mas ainda posso aproveitar. Antes de eu aposentar as minhas sapatilhas, quero ter um espaço de dança meu no Egito, voltado não só para dança do ventre, mas várias outras, e para mulheres. Acho que é o lugar propício para isso, porque no Brasil a gente ainda patina um pouco. Ainda não penso em voltar pra cá, mas visitar, sim! Sempre que possível. Não vivo sem açaí, coxinha… (risos).

JP3: Além de dançar o que mais você curte fazer?

Lurdiana: Gosto muito de yoga, me ajuda muito na questão da mente, de ficar equilibrada. Lido com pessoas e em ambientes muito tumultuados, festas, etc. Então preciso ter esse equilíbrio. Também vou para a academia, pois preciso manter o meu corpo, trabalho com ele. Faço fortalecimento para ter resistência e aguentar os shows. São duas coisas que busco manter na minha rotina diária.

“Foi bem inesperado isso tudo, oportunidades foram aparecendo, mas a ficha demorou muito para cair. Eu aproveito, mas sou muito pé no chão”.

Lurdiana

JP3: Você trabalha com festas, tem tempo para sair com as amigas, tempo para namorar…?

Lurdiana: (risos) Olha, a minha rotina é bem imprevisível! Não consigo planejar direito, pois no Egito as coisas são muito intensas e mudam de uma hora para a outra, não é como aqui no Brasil que conseguimos seguir um cronograma. Vou me adaptando conforme as coisas vão aparecendo. Sou muito focada no meu trabalho. Saio com as minhas amigas quando dá, moro com duas, que são brasileiras também. E é isso. Namorado eu não tenho (risos), no momento não dá.

JP3: Para finalizar, o que você diria para as bailarinas e bailarinos que, como você, também tem o sonho de se profissionalizar na dança?

Lurdiana: Se realmente é um desejo sincero, de coração, que façam o melhor que puderem, independente do resultado. Se não for bom o resultado, não tem problema, porque estão ganhando experiência. Não desistam de realmente seguir a carreira, essa caminhada. Se informem muito, estudem muito, e tenham muito cuidado e respeito por essa dança e, como no meu caso, culturas tão diferentes.

O vídeo foi visto mais de 100 milhões de vezes

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