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Líderes mundiais parabenizam Joe Biden e Kamala Harris por vitória nos EUA

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Bolsonaro silencia

Por Luísa Laval e Cristian Favaro

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Diversos líderes mundiais parabenizaram o democrata Joe Biden e Kamala Harris após o anúncio de sua vitória na corrida presidencial nos Estados Unidos. O primeiro-ministro britânico, Boris Jhonson, classificou a vitória como uma “conquista histórica”, e cumprimentou os candidatos. “Os Estados Unidos são nosso aliado mais importante e estou ansioso para trabalhar juntos em nossas prioridades comuns, desde as mudanças climáticas para o comércio e a segurança”,afirmou em sua conta do Twitter.

O presidente da França, Emmanuel Macron, também parabenizou a dupla pelo resultado. “Temos muito que fazer para superar os desafios de hoje. Vamos trabalhar juntos!”, escreveu, em seu perfil no Twitter.

Ainda no continente europeu, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, publicou em seu perfil do Instagram uma mensagem de saudação a Biden e Kamala. “Desejo-lhe sorte e sucesso de coração. Estou ansiosa para trabalhar com o presidente Biden no futuro. Nossa amizade transatlântica é indispensável se quisermos enfrentar os difíceis desafios de nosso tempo”, afirmou a líder.

Vizinho aos Estados Unidos, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, também parabenizou os democratas. “Nossos dois países são amigos íntimos, parceiros e aliados. Compartilhamos um relacionamento único no cenário mundial. Estou realmente ansioso para trabalharmos juntos e desenvolver isso com vocês dois”, escreveu.

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Na América Latina, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, parabenizou pelo Twitter o “povo estadunidense pelo recorde de participação nas eleições, uma clara expressão da vontade popular”. Na mesma publicação, ele parabenizou a dupla democrata

O presidente da Colômbia, Iván Duque, desejou a Biden êxito na gestão. “Trabalharemos juntos para fortalecer a agenda comum no comércio, meio ambiente, segurança e luta contra o crime internacional”, afirmou, em seu perfil no Twitter.

O ex-presidente dos Estados Unidos e democrata Barack Obama também parabenizou os colegas de partido em declaração publicada no Twitter. “Eu não poderia estar mais orgulhoso por parabenizar nosso próximo presidente Joe Biden e Kamala Harris como nossa próxima vice-presidente”, disse. No texto, Obama destaca a importância da eleição de Biden para a democracia, que “necessita de nós mais do que nunca”.

Imprensa

A vitória de Biden rapidamente repercutiu na imprensa internacional. Nos textos, as publicações destacaram pontos como a promessa de união do país feita por Biden após o resultado prévio de hoje.

Os jornalistas apontaram ainda o fracasso do republicano Donald Trump ao tentar se reeleger – ele foi o terceiro presidente desde a Segunda Guerra Mundial a não conseguir levar outros quatro anos. Apesar da ponderações, os veículos destacaram a disputa judicial a ser iniciada por Trump. Além disso, nem de longe a vitória de Biden representaria o fim dos ideias de uma parte significativa do povo norte-americano que deu a vitória a Trump em um primeiro mandato e quase o reconduziu à Casa Branca nesta eleição.

O New York Times exibia em sua manchete no portal a vitória do democrata, que será o 46º presidente dos Estados Unidos. Segundo o veículo, Biden “foi eleito prometendo restaurar a normalidade política e um espírito de unidade nacional para enfrentar as crises de saúde e econômicas, posicionando Donald Trump como um presidente de um único mandato após quatro anos de tumulto na Casa Branca”.

A publicação destacou que a vitória de Biden representaria um repúdio do povo americano à conduta de Trump. Os eleitores decisivos, aponta, foram as mulheres, negros, jovens e os mais velhos, assim como “um punhado de republicanos insatisfeitos”. O jornal lembrou que Trump foi o terceiro presidente eleito desde a Segunda Guerra Mundial a perder a reeleição e o primeiro em mais de 25 anos.

Já o Washington Post destacou que a vitória de Biden sobre Trump veio depois de uma eleição muito disputada. “Os eleitores também fizeram história ao eleger como vice-presidente Kamala Devi Harris, 56, uma senadora da Califórnia e filha de imigrantes jamaicanos e indianos que se tornará a primeira mulher do país, o primeiro negro e o primeiro asiático-americano a ocupar a vice-presidencia”, destacou. A publicação destacou ainda o tom apaziguador adotado por Biden, que afirmou querer a união do país. Lembrou ainda que Biden venceu em três Estados decisivos que ficaram com Trump na eleição passada, Michigan, Wisconsin e Pensilvânia, “reconstruindo assim a ‘Muro Azul’ que protegia os candidatos democratas anteriores”.

A Economist, popular revista inglesa, destacou que a movimentação atual da contagem dos votos pode levar Biden a vencer com mais de 300 delegados. “O presidente republicano afirma falsamente que ganhou a eleição, diz que ela é fraudada e entrou com vários processos para tentar atrapalhar a contagem dos votos. A publicação destacou ainda que Trump é o primeiro presidente desde Benjamin Harrison, em 1892, a perder no voto popular duas vezes – na disputa contra a Hillary Clinton, Trump perdeu por voto popular, mas venceu em número de delegados.

O Financial Times apontou o número recorde de eleitores a enviar seus votos por correio para evitar aglomerações durante a pandemia. “A regra de alguns Estados impedia a contagem antes do dia da eleições, abrindo espaço para um atraso na apuração”, explicou. “Apesar da ameaça do coronavírus, o comparecimento geral na votação que terminou na terça-feira também deve atingir níveis nunca vistos em um século”.

Bolsonaro silencia

O presidente Jair Bolsonaro silenciou sobre a eleição do democrata Joe Biden à presidência dos EUA, resultado projetado pela imprensa norte-americana. Mais de uma hora depois de divulgado o resultado, nem o Palácio do Planalto nem o Ministério das Relações Exteriores se pronunciaram. A decisão isola o Brasil no plano internacional, depois que outros chefes de Estado e governo já reconheceram a vitória de Biden e o congratularam nas redes sociais.

De acordo com fontes do Planalto, Bolsonaro reagiu com “tranquilidade” ao resultado e reforçou que vai esperar um “quadro concreto” para se pronunciar. Ainda segundo integrantes do governo, o presidente considera qualquer pronunciamento uma afobação e vai aguardar o término dos processos judiciais movidos por Trump, que não reconhece a derrota e contesta o resultado alegando, sem provas, que há fraude no processo judicial.

A postura de Bolsonaro segue recomendações de sua assessoria para um dos cenários previstos, uma vitória com margem apertada de votos e a contestação judicial por parte do aliado, o republicano Donald Trump. Esse era o conselho dado ao presidente nessa hipótese para que não se precipitasse na comunicação virtual, como antecipou o Estadão na manhã da última segunda-feira (2).

Integrantes do Planalto argumentam que nenhum Estado encerrou oficialmente a apuração, e, portanto, a vitória do democrata está sendo declarada pela imprensa. O silêncio de Bolsonaro, porém, não está atrelado a uma expectativa de reviravolta nas urnas, mas a uma “prudência” de que a imprensa, alvo frequente de ataques de Trump e Bolsonaro, tenha errado. A militância bolsonarista, por sua vez, segue reproduzindo que há fraude no processo eleitoral, o que não tem respaldo das autoridades americanas.

O silêncio de Bolsonaro contrasta com o estilo do presidente, que costuma usar as redes sociais para rebater ou felicitar adversários. Foi o que ocorreu, por exemplo, em 30 de setembro, quando Biden fez críticas à preservação da Amazônia e ameaçou sanções econômicas sobre o governo brasileiro. Bolsonaro não demorou a rebater o democrata nas redes.

O Estadão entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores e o Palácio do Planalto sobre o resultado das eleições nos EUA, mas o governo não se pronunciou.

As primeiras autoridades do Brasil a reconhecerem o triunfo do democrata foram o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o vice, Marcos Pereira (Republicanos-SP), num indicativo de que o caminho para aproximação entre os países pode ser o parlamento.

“A vitória de Joe Biden restaura os valores da democracia verdadeiramente liberal, que preza pelos direitos humanos, individuais e das minorias. Parabenizo o presidente eleito e, em nome da Câmara dos Deputados, reforço os laços de amizade e cooperação entre as duas nações”, publicou Maia, minutos após o anúncio pela imprensa dos EUA.

“Parabenizo Joe Biden pela vitória. O democrata é o 46º presidente dos Estados Unidos da América. Faço votos que seu mandato seja frutífero e benéfico para todos. A beleza da democracia é a alternância no poder”, escreveu Pereira.

É comum que chefes de governo se manifestem logo após um país chegar ao resultado das eleições presidenciais. Alguns dos primeiros foram os primeiros-ministros do Canadá, Justin Trudeau, da Alemanha, Angela Merkel, e das Ilhas Fiji, Frank Bainimarama, que parabenizou Biden antecipadamente, nas primeiras horas deste sábado, dia 7, antes mesmo da projeção do resultado. Adversário de Bolsonaro, o presidente da França, Emmanuel Macron, também felicitou Biden. Todos usaram suas redes sociais.

O momento de falar é uma decisão de política externa do Palácio do Planalto. E costuma variar de presidente para presidente. Em 2000, quando a eleição americana também passou por contestação na Justiça e recontagem de votos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) só enviou carta ao republicano George W. Bush, vencedor, 36 dias após a votação, em dezembro. Bush derrotara Al Gore, democrata na sucessão de Bill Clinton, de quem FHC era amigo.

Agora, o tucano já abriu uma exceção e se manifestou porque, segundo ele, “vivemos nestes últimos dias um momento decisivo para a democracia”. Ele fez crítica incisiva aos últimos pronunciamentos de Trump, que cita insistentemente ilegalidades na votação sem apresentar provas.

“Em dois séculos e meio, nenhum presidente americano havia buscado deslegitimar o processo eleitoral, um dos alicerces fundamentais da democracia. O atual o fez sistemática e deliberadamente. Sua reeleição representaria, portanto, um grave risco à democracia, e não só nos Estados Unidos. Por isso, pelo que não aconteceu, vivemos um momento histórico, que merece ser celebrado”, afirmou FHC, em comunicado.

A missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), que acompanha o pleito, divulgou não ter encontrado irregularidades graves na votação. Neste sábado, o presidente da OEA, Luís Almagro, parabenizou Biden e a vide Kamala Harris em publicação no Twitter. “Esperamos continuar trabalhando em estreita colaboração com os Estados Unidos pela democracia, direitos humanos, desenvolvimento e segurança no hemisfério”, escreveu.

Segundo o Estadão apurou, assim que Bolsonaro decidir, a Presidência está pronta para fazer contato com o vencedor. Porém, não está descartado que Bolsonaro se manifeste apenas pelo Twitter. O chefe do Executivo também pode determinar que o contato seja feito pelo embaixador brasileiro nos Estados Unidos, Nestor Foster.

Já Luiz Inácio Lula da Silva, em 2008, telefonou para Barack Obama no mesmo dia do anúncio do resultado. O presidente eleito americano retornou dias depois e eles conversaram por 15 minutos Por sua vez, Michel Temer, em 2016, preferiu parabenizar com um telegrama.

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