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O sonho catarinense

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PorVinícius Lummertz

Em artigo recente levantei o conceito de afluência social como o grande desafio dos países nos últimos anos e especialmente agora quando tentam sair da crise provocada pela pandemia que, aliás, resiste e não dá sinais de quando vai arrefecer. Para a saída da crise, considero a afluência social como o fator mais poderoso e o de maior mobilização de população. Mas o que é afluência social? De um modo muito simplista: se trabalhar vai subir na vida. E não só pagar contas, impostos e juros como no Brasil. É ter uma perspectiva de melhoria de vida dos seus filhos maior do que seus pais tinham das suas.

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Momentos de grande afluência social ficam marcados na história. No século passado, o “american dream”, o sonho americano nos Estado Unidos; e, neste século, o “sonho oriental”, puxado pela China. Nós, no Brasil, já tivemos um “brazilian dream”, em vários ciclos econômicos, desde os motivados pela imigração, a partir de 1870, até os booms econômicos do “país do futuro”, nas décadas de 1960 a 1980.

Destacando-se e até contrastando com esse cenário, Santa Catarina ao longo da sua história e das últimas décadas construiu uma das mais bem-sucedidas e interessantes experiências de desenvolvimento autóctone do mundo inteiro. Digo autóctone porque nosso desenvolvimento é original, foi construído de forma natural pelas etnias que aqui vieram colonizar, algo como “o jeito catarinense de fazer”.

Por isso não posso deixar de dizer que, apesar dos percalços dos últimos dois anos – e aqui me refiro à gestão pública, e não à iniciativa privada, que continua de vento em popa – vivemos aqui o nosso sonho, o sonho catarinense, cuja construção é a referência para planejarmos o nosso futuro. E é essa construção tão importante para os nossos destinos que vamos começar a contar e que servirá como alicerce para um “plano de vida” que pretendo traçar para a SC dos próximos anos.

Vamos retroceder então à edição de 7 de fevereiro de 2018 da revista Exame, que trouxe uma reportagem especial de Capa em que desenhava um amplo cenário da economia brasileira depois da pior recessão dos últimos cem anos, em 2016/17. Mostrando que a saída da crise era desigual entre os estados, a revista tem um editorial intitulado “O exemplo entre nós” – e, é claro, o exemplo é Santa Catarina. Na reportagem, depois de enumerar as razões que levam o Estado a disparar diante dos demais e demonstrar que, se vários outros tivessem feito a lição de casa ao longo das últimas décadas, também teriam saído logo da recessão, Exame lamenta: “O problema é que o Brasil não é Santa Catarina”.

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Mas, como chegamos a esta situação ímpar entre os estados brasileiros? Sem dúvida, temos que reverenciar em primeiro lugar os colonizadores europeus que aqui chegaram a partir da segunda metade do Século 19. Foram eles que realizaram a árdua tarefa de desbravar a terra e descobrir quais eram suas vocações econômicas. Fizeram isso de modo isolado, em cada região conquistada e, até recentemente, seria uma temeridade afirmar que Santa Catarina era um estado uno e integrado.

De qualquer maneira, o sonho dos imigrantes se realizou, no mais belo estado do Brasil. Este sonho, no entanto, precisa ser renovado – até porque a realidade catarinense já ultrapassou em muito o próprio sonho.

Precisamos, então, sonhar um novo sonho. Mas qual seria ele? Vamos começar a buscar a resposta num próximo artigo.


Vinícius Lummertz é ex-ministro do Turismo e atual secretário de Turismo de São Paulo

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